segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Inspiração negro-poética

Sem alarmes, sem melancolia. Nada de figuras macabras, nada de pulsos cortados ou miolos estourados. É poético, sim. Há uma sensibilidade intrínseca alojada nesses atos... Acho que poucas pessoas conseguem visualizar este ponto-chave, perceber a guerra espiritual que consegue levar um humanóide a dar adeus ao mundo cruel.
Diferentemente do que muitos apregoam como forma de auto-defesa, a vida não é tão simples... E nem é rara também. Alguns - estes sim, fracos - procuram enxergá-la com simplicidade, mascarando o que há de mais nojento (perdoem-me o adjetivo, mas realmente não consegui encontrar outro que se adequasse melhor) na essência mundana.
Essas sutilezas perturbam as mentes sensitivas, e criam um conflito interno insuportável, tranformando suas vítimas[?] em habitantes solitárias de bolhas flutuantes, prestes a estourarem e cairem em um abismo... Não é uma escolha, não... É o resultado de uma luta dolorosa, cansativa, incessante. E que, independentemente de vencedores ou vencidos, sempre terá um herói como protagonista.
Essa é uma visão particular que quis ver compartilhada. Mas quem disse que não se pode também descontrair com o assunto?
[Não, jamais faria uma apologia ao suicídio, jamé! Desejo longevidade a todos, que vivam além dos 90 anos batizando os tataranetinhos. E podem se entupir de agrotóxicos, gorduras saturadas, cafeína, antidepressivos, tranqüilizantes, álcool, tabaco e demais rejuvenescedores. Nós chegaremos lá, com fé em... Em quem mesmo?]




domingo, 18 de janeiro de 2009

O tempo pede um tempo
Para o caminhar desassossegado
Para o ponteiro nervoso que não pára
Enquanto os corações esperam.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Da corrupção e da redenção


É só porque o Vermelho me inspira
É só porque o Vermelho me dá Prazer
Prazer que vai além do prazer
De ver
O quente da cor cobrir-me sobre o vermelho do meu sangue.
Me cobrir de sangue
E depois envolver-me no branco lençol
Que vermelho fica.
Ah, o Vermelho...
Vermelho que dá vida
Vermelho sangue da Vida!
Vermelho que aquece o corpo
Que inebria as mentes pervertidas
Vermelho das putas
E das santas de bom coração [vermelho].
Vermelho das fantasias mais terrenas
E da melancolia mais metafísica.
Vermelho, vinho
Vermelha cor do vinho
Vinho que é sangue
Puro sangue do pecado.
Altivez, força
Poder que me dá o Vermelho: Vida
Quero revestir-me de sua cor por completo
Fechar os olhos e sentir o vermelho que verte
E mancha, mancha, mancha...

domingo, 11 de janeiro de 2009

O Gigante e o Anão

Fatídico céu. Não quero sua morada. Céu pra mim não é nada.
Não quero a felicidade eterna, a previsibilidade dos bons momentos.
Não quero um sorriso permanente no rosto, nem tampouco ter a certeza que tenho todos os prazeres à minha disposição.
Ah, que falta de atrativos, quão sem-graça é o que os outros chamam de “Céu”!
Quero arder no perigo, correr riscos, apreciar cada prazer vivido com a incerteza de amanhã não ser mais igual.
Quero o universo paralelo mais intenso a cada dia, quero esbofetear a face dos pudicos e cuspir nos hipócritas.
Quero chorar no gozo e rir na dor. Quero que minhas carnes tremam, que cada poro do meu corpo lateje, insatisfeito, ansioso, insaciável, sedento, frenético.
Depois disso eu terei, sim, a felicidade eterna. Caminhando sempre de mãos dadas com a tristeza, e tornando-a cada vez menor, mais insignificante, mais minúscula. O Gigante e o Anão. Cada um cumprindo a sua missão.

sábado, 15 de novembro de 2008

Purgatório


Lugar escuro e tenebroso. Quente. Frio. Frio de calor humano. Pessoas sujas. Sentimentos sujos. Expressões limpas. Pessoas nuas, desmascaradas. Não há recompensa, não há gratidão. Sem cumprimentos, boas maneiras, convenções. Sem moral forjada. Sim, um lugar amoral! Habitat da máxima manifestação do auto-retrato. Percepção nua e crua da natureza egocêntrica do homem. Pessoas feias. Você é feio! E eu posso dizer isso! Você é desprezível, asqueroso, um verme. E eu passei a minha vida inteira sonhando em dizer-te isso! Não tenho credores, não obedeço a ordens, não tenho chefe ou nenhum outro ser inferior que se digne ser chamado superior hierárquico. Ah, a liberdade... Finalmente a independência. Homens iguais. Verdadeiros. Mundo real. Purgatório: Paraíso Divino. Amém.

Coração de Diamante

Ouvi dizerem “coração de pedra”.
De pedra sim, mas pedra preciosa. Um tesouro praticamente inconquistável.
Caro. E raro. Tão raro quanto os humanóides que têm a proeza de possui-lo em suas mãos.
E sabem de uma coisa? Somente outro coração de diamante tem o condão de poli-lo. Deve ter dureza igual, ser forte e tão impetuoso a ponto de encará-lo.

A rainha carece de um rei. E que seja um bravo, dignamente capaz de desbravar o que habita de mais temeroso neste coração de diamante.
É só assim, neste encontro de indubitável realeza, que toda fragilidade vem à tona, contrastando com a dureza que dantes permeava os arredores diamantinos.
E o coração de diamante por fim reluz, mostrando ao mundo toda a pureza de sua essência constitutiva.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Antítese do Encontro

Tentei escrever e não consegui.
Meus versos latejam, mas não se desprendem
Tudo ao meu redor é névoa
Os demônios vagueiam, não mentem.

Reflexo de mim no espelho
Contemplo um quadro de beleza vibrante
Espelhos, criações emolduradamente humanas
Anteprojetos que mascaram o real perto-distante.

Montagens programadas para o belo: não as quero!
Saio à rua, ao encontro de Mim
Em um córrego, miro a minha imagem desnuda
Figura disforme; ilusão: chega-te ao fim!